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Sociedade

Editorial: Depois das bets, vem aí a avalanche de pornografia no futebol

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O Family Talks trabalha para que as famílias estejam no centro de todas as conversas e decisões que impactam o futuro do Brasil: seja no governo federal, nas cidades, nas empresas, na imprensa ou na cultura. E poucas instituições culturais são tão poderosas quanto o futebol: goste-se dele ou não, acompanhe-se avidamente ou não, trata-se de um patrimônio cultural do país, histórica paixão nacional, um dos nossos símbolos mais reconhecíveis.

O futebol, portanto, tem responsabilidades para com as famílias do Brasil — responsabilidades que já vêm sendo ignoradas com o sequestro do esporte pelas bets e seu rastro de destruição para as famílias. Não bastasse isso, um novo risco se projeta sobre esse ícone da identidade brasileira, ilustrado pela lamentável decisão do Corinthians de fechar patrocínio com uma plataforma de conteúdo pornográfico, do mesmo grupo que opera a Fatal Model, plataforma de acompanhantes.

O caso não é isolado, e é o que mais preocupa. O Vitória estampa marcas do mesmo segmento desde 2023; o patrocínio chegou a ser questionado por órgãos de defesa do consumidor e, ainda assim, o clube não recuou: trocou uma plataforma adulta por outra. O Corinthians impôs suas regras: vetou conteúdo explícito e proibiu o uso da marca nas categorias de base. Ainda assim, cabe o questionamento: se é preciso esconder a marca do público, ela deveria estar ali? Os jogos vão à TV aberta e à internet, os estádios recebem crianças, as camisas vestem torcedores de todas as idades. Não é razoável que o nome de um site de pornografia fique à vista de todos, em uniformes, placas e transmissões, sem qualquer impedimento.

O Family Talks atua para dificultar o acesso precoce a esse conteúdo: na elaboração do ECA Digital, incluímos a verificação etária obrigatória em sites adultos, na venda de álcool e nas bets. Sabemos que medidas assim têm limites — por isso insistimos no apoio a pais e mães. Mas tampouco fugimos da conversa mais ampla, que cabe a todos: que lugar queremos que o futebol ocupe na formação das próximas gerações? Permitiremos que um vetor de união das famílias seja cooptado não só pelas apostas, mas pela pornografia e pela prostituição?

Por Rodolfo Canônico