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Editorial: Orbán caiu. Suas políticas para as famílias da Hungria também deveriam?

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Editorial: Orbán caiu. Suas políticas para as famílias da Hungria também deveriam?

A Hungria encerrou no último domingo um capítulo de 16 anos: Viktor Orbán, líder controverso que governou o país desde 2010, perdeu a eleição para Péter Magyar. Mas o que muda para as famílias húngaras?

Durante sua gestão, Orbán implementou um dos pacotes de incentivo à natalidade mais vultosos do mundo: empréstimos especiais para casais jovens, subsídios para compra de imóvel e veículos por famílias com três ou mais filhos, isenção de imposto de renda para mães, entre outros. A Hungria chegou a destinar mais de 5% do PIB a políticas voltadas à natalidade. Os resultados iniciais foram relevantes: a taxa de fertilidade subiu de 1,23 em 2011 para 1,61 em 2021.

Os números recentes, porém, contam outra história: desde 2021, a fertilidade caiu para 1,3 em 2025, abaixo de países que não fizeram nada parecido. A meta de atingir a taxa de 2,1 filhos por mulher até 2030 passou longe e a população encolheu meio milhão de pessoas, também por conta da rígida política anti-imigração e do viés excludente das medidas: famílias imigrantes e ciganas não eram contempladas e mesmo mães solteiras e avós eram excluídas de alguns benefícios. Os subsídios habitacionais dispararam os preços dos imóveis, prejudicando quem não se enquadrava nos critérios.

Embora as medidas voltadas às famílias fossem bem recebidas, sucessivos escândalos de corrupção, estagnação econômica e inflação levaram à derrota de Orbán. Magyar herda agora um duplo desafio: manter as políticas beneficiaram famílias e, ao mesmo tempo, sustentar esses ganhos. A Hungria aprendeu que subsídios generosos não bastam se não estiverem atrelados a um ecossistema de proteção e acolhimento às famílias.

O contexto húngaro é muito diferente do nosso, mas a lição serve para o Brasil: o cuidado com as famílias não pode ser bandeira de um único governo ou partido. Deve ser um compromisso suprapartidário, sobretudo porque seus resultados levam décadas para amadurecer. No Family Talks, trabalhamos com propostas adequadas ao nosso país, inspiradas nas experiências internacionais e levando em conta seus erros e acertos. Tudo para que as famílias estejam no cerne das decisões de hoje e do futuro.

Rodolfo Canônico