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Mundo Digital,  Opinião Pública

Editorial: YouTube não é para crianças

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Como parte da regulamentação do ECA Digital, o governo federal elevou de 14 para 16 anos a classificação indicativa do YouTube, depois que uma análise técnica do Ministério da Justiça identificou na plataforma conteúdos com apelo sexual, violência extrema, drogas e linguagem imprópria — alguns disfarçados sob estética infantil. A mesma medida já havia sido aplicada a TikTok, Kwai, Pinterest e outras redes nas últimas semanas.

A decisão pode parecer um exagero, mas é o reconhecimento de uma falha coletiva: a despeito de todas as suas promessas, as Big Techs têm falhado em proteger crianças e adolescentes, e as famílias percebem-se impotentes diante da influência e dos riscos dessas plataformas.

Não à toa, pesquisa inédita realizada pelo Family Talks em parceria com a Market Analysis mostrou que 72% dos brasileiros apoiam restringir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, nos moldes da lei australiana. Um dado ainda mais revelador é o de que, ainda que 61,2% dos entrevistados atribuam aos pais a responsabilidade principal por proteger os filhos online, continuam a aprovar massivamente a regulação. Em suma, as famílias reconhecem o seu papel, mas sabem que precisam de ajuda.

Por isso, Family Talks atuou ativamente na construção da lei do ECA Digital e, agora, acompanha de perto sua implementação. O aumento da classificação indicativa do YouTube, como de qualquer outra rede, serve para melhor orientar pais e responsáveis, mas, na prática, não protege ninguém. O Projeto de Lei 1827/2026, que prevê a proibição de redes sociais para menores de 16 anos, vai mais longe e merece atenção do Congresso.

Em ano eleitoral, Family Talks trabalha para que candidatos incorporem aos seus planos de governo propostas concretas de proteção infantil na internet — incluindo a restrição para menores de 16 anos — e para que as famílias disponham de recursos melhores para cuidar dos seus. Crianças não são responsáveis por proteger a si mesmas. Trata-se de uma atribuição de todo o Brasil.

Rodolfo Canônico

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