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Fórum Family Talks aborda equilíbrio entre vida pessoal e profissional

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“Vivemos para trabalhar ou trabalhamos para viver? Qual é a resposta para esse dilema?  A chave para isso é o equilíbrio”. Foi o que questionou o diretor-executivo do Family Talks, Rodolfo Canônico, durante o segundo dia do Fórum Family Talks, “Cuidar das pessoas, investir no futuro”, que se encerrou nesta quinta-feira (26). Os convidados para o debate foram a Country Manager da Philips no Brasil, Patricia Frossard, a fundadora do Flux Institute e colunista da Revista Forbes, Flávia Camanho, e o Diretor-geral do ISE Business School, José Paulo Carelli.

Sabe-se que a pandemia da covid-19 ampliou o olhar do mundo corporativo para o impacto que a esfera privada tem na vida profissional das pessoas. Ou seja, a visão de que o trabalhador ideal é aquele que coloca o trabalho acima de tudo, tomando o tempo da sua esfera privada, vem se tornando cada vez mais ultrapassada neste novo cenário. 

Para José Paulo Carelli, cada vez mais as pessoas estão configurando o trabalho e não mais o trabalho que está configurando as pessoas.

“Esse cenário já está ficando para trás, ampliando o foco maior nas pessoas, apesar de observarmos que para alguns gestores ainda tem sido muito difícil”, observa Carelli.

A fundadora do Flux Institute e colunista da Revista Forbes, Flávia Camanho, ressaltou que atualmente as empresas contam com uma ampla diferença multigeracional. Para ela, as novas gerações trazem um novo convite de consciência e isso acaba refletindo no ambiente de trabalho.

“Quando a gente traz essa vivência dessa amplitude de consciência e de muitas pessoas querendo debater, as relações com as famílias não podem ficar mais apartadas. A empresa é um grande coletivo de pessoas que estão interligadas com suas famílias e impacta nas relações umas com as outras”, disse.

Flávia também reforçou que essa mudança de postura das organizações ainda é desafiadora para as lideranças, mas acredita que esse seja o caminho para construções com mais diversidade. “A diversidade é uma oportunidade de trazer o espectro mais completo das pessoas para as organizações”, completa. 

Na opinião de Patricia Frossard, é possível enxergar o reflexo da diversidade na inovação e nos resultados das empresas. Ela acredita que pessoas com backgrounds diversos são essenciais para o crescimento dos negócios.

“Trazer diversidade, trazer pessoas diferentes e ter pessoas de gerações diferentes, background diferentes, gera inovação; gera perguntas que não foram feitas antes”, afirma.

Maternidade x vida profissional

Durante os debates do Fórum, que foram mediados pelo Diretor-executivo do Family Talks, os painelistas relembraram um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 247 mil mães, que mostra que 50% das mulheres são demitidas após, aproximadamente, dois anos da licença maternidade. 

Flávia Camanho reforçou que a maternidade ainda é um grande desafio para a mulher na consolidação de uma carreira.

“Nós estamos reescrevendo o lugar da mulher no mundo, ou seja, estamos reposicionando esse lugar. Se eu não entender que construir uma família faz parte do meu papel, não será possível ter representatividade real do mundo nas organizações. Além disso, quanto mais natural for o processo de compreender como a mulher vai acomodar a vida profissional com a maternidade, mais ela fará um bom trabalho”, disse.

Para a Country Manager da Philips no Brasil, Patricia Frossard, a pandemia deixou um legado de uma realidade antes ignorada pelas grandes empresas, permitindo que os profissionais também compartilhassem sua vida pessoal no trabalho.

“Eu sou uma prova bastante concreta dentro da Philips, atualmente, de que é possível uma mulher-mãe ocupar uma posição de liderança sênior. Muitas vezes, a resistência por cargos de liderança parte da própria mulher por temer a convivência com os filhos. Por isso, ter gestores com essa realidade é bastante importante para que outras mulheres também tenham essa ambição”, observa. 

Desafios e perspectivas

No debate, o Rodolfo Canônico também lembrou que, durante a pandemia, a participação das mulheres no mercado de trabalho alcançou o patamar mais baixo dos últimos 30 anos e que os dados mostram que as mães foram as mais prejudicadas.  Sobre isso, o Diretor-geral do ISE Business School disse que ‘o grande desafio das instituições neste momento está em olhar para a mulher e saber quais são as necessidades dela, o que ela quer, o que precisa, para que assim possa ter boas condições ao desempenhar sua função’. 

“As organizações precisam se atentar para o que realmente a pessoa precisa, quantos meses de licença-maternidade ela precisa. Por que não entender a situação dessa mulher e tentar dar uma condição necessária para isso?  Por que não olhar cada caso e ver realmente como ajudar essa mulher da melhor maneira possível?”, questiona José Paulo Carelli.

“O grande desafio é olhar para cada um. É muito mais difícil mas, ou as empresas percebem isso, ou vão ficar defasadas e pouco competitivas”, completa. 

Ampliação do diálogo

Ao final dos debates, os convidados foram chamados a refletir como a liderança, além do exemplo, pode ampliar esse ambiente de diálogo. Para a Country Manager da Philips no Brasil, quanto mais a gente escuta, mais a gente aprende.

“Eu faço encontros mensais com grupos pequenos de funcionários onde eu peço para que eles compartilhem tudo o que está bom ou ruim. É nesse momento que eu consigo pensar em ideias e surgem iniciativas maravilhosas. Esse é o caminho”, acredita Frossard. 

O Diretor-geral do ISE Business School também considera que a troca de ideias se faz necessária para compreender as necessidades das pessoas e empreender ações estratégicas para fazer com que elas se sintam bem. “Por um lado, o home office facilitou. As pessoas se abriram mais, mostrando atividades cotidianas. Mas, por outro lado, fez com que as interações ficassem mais tarefeiras. Você se reúne para pedir, para cobrar e demandar. Perdemos os momentos de troca de ideias que permitiam que a gente se conhecesse e se ajudasse”, disse. 

Flávia Camanho, por sua vez, considera que criar grupos de debates é essencial para entender as pessoas, especialmente nesse ambiente de liderança de contexto. “Para eu ter contexto, tenho que ter abertura para conversar sobre o que está acontecendo. A empresa é um ser vivo. Vamos usar esse espaço como uma fonte de inspiração, de inovação para a própria organização. Vamos pensar sobre diversidade e trazer essas temáticas de uma forma mais efetiva”, finaliza.


Para conferir o PRIMEIRO DIA do Forum Family Talks, acesse aqui.