O Dia das Mães está chegando: o melhor presente é o apoio
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A uma semana do Dia das Mães, a cantora colombiana Shakira emocionou Copacabana ao homenagear as mães solteiras que “sem ajuda, têm que lutar cada dia para sustentar sua família”, e declarou ser também uma delas. É certo que a realidade da cantora é muito distinta da enfrentada pela esmagadora maioria das brasileiras. Mas, em um país onde cerca de 11 milhões de mulheres criam filhos pequenos sozinhas, era de se esperar que a frase ecoasse.
As dificuldades das mães solo, porém, são a face mais dramática de um problema que atravessa a maioria das famílias: a sobrecarga feminina e a penalização da maternidade. Metade das mulheres que tiram licença-maternidade são demitidas ou saem do mercado em até dois anos após o retorno. Mães dedicam, em média, 21,3 horas semanais ao cuidado e às tarefas domésticas — quase o dobro dos pais. Em 2022, 2,5 milhões de mulheres não puderam trabalhar porque precisaram cuidar de parentes (entre os homens, foram apenas 80 mil).
Os reflexos vão muito além do lar: com 1,57 filho por mulher, o Brasil vai começar a encolher em 2041. Não surpreende que, com tantos empecilhos, cada vez menos mulheres queiram ter filhos. Apoiá-las é garantir a saúde, a economia e o futuro do país.
Por isso, Family Talks propõe medidas concretas: aposentadoria justa para quem cuida, programas de retorno ao trabalho para mães afastadas, creches com horários estendidos, salário-maternidade digno para microempreendedoras, prevenção da violência doméstica e licença parental que envolva também os pais.
Nas próximas eleições, que tal cobrar essas pautas dos seus candidatos? Muitos dizem apoiar as famílias, sem fazê-lo de forma prática. Neste e nos próximos Dias das Mães, o presente mais valioso que o Brasil pode oferecer é uma rede real de apoio. As homenagens de maio são alegres e bem-vindas, como um show apoteótico à beira-mar. Melhores ainda são políticas públicas que impactam gerações.
