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Pesquisa,  Sociedade

Quatro a cada dez brasileiros se sentem sozinhos, revela pesquisa inédita do Family Talks com Market Analysis

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Quatro a cada dez brasileiros se sentem sozinhos, revela pesquisa inédita do Family Talks com Market Analysis

Quatro a cada dez brasileiros se sentem sozinhos. É o que revela uma pesquisa exclusiva realizada pelo Family Talks em parceria com a consultoria Market Analysis, com base em entrevistas com mais de mil pessoas em todo o país. O levantamento mostra que 41,1% da população adulta relata solidão, evidenciando que o fenômeno já não pode ser tratado como uma experiência isolada, mas como um problema social de larga escala.

Os dados revelam um padrão claro de desigualdade. A solidão atinge mais as mulheres (46,2%) do que os homens (35,3%), com diferença de quase 11 pontos percentuais. Entre as classes sociais, o contraste é ainda mais acentuado: enquanto 24,7% da classe A se declaram solitários, esse número chega a cerca de 45% nas classes C2 e D/E. Já por faixa etária, jovens entre 18 e 34 anos apresentam níveis de solidão semelhantes aos adultos, contrariando a percepção de que o problema se concentra na terceira idade.

A pesquisa também chama atenção para a experiência das mães. Ter filhos reduz a solidão em média (36,4% entre quem tem filhos contra 45,9% entre quem não tem), mas esse efeito é desigual: entre mães de baixa renda, a solidão permanece elevada, com forte concentração nas classes C2 e D/E. O estudo aponta ainda que a maioria dos brasileiros enxerga a solidão como um fenômeno estrutural: 61,1% atribuem sua causa principalmente a fatores externos, e não a falhas individuais, indicando um diagnóstico social compartilhado sobre o problema.

Segundo o diretor da Market Analysis, Fabián Echegaray, a solidão é resultado de transformações profundas e cumulativas: “A desestruturação da família estendida, a mobilidade geográfica, o aumento do custo de vida e a queda do capital social fragilizaram as redes de apoio. Mais recentemente, a virtualização das relações e a hiperindividualização intensificaram esse isolamento, apesar da promessa de maior conexão”.

Tema recorrente no trabalho do Family Talks, a solidão é compreendida pela organização como um desafio contemporâneo que exige respostas públicas. Por isso, temos defendido políticas capazes de fortalecer vínculos familiares, redes de apoio e condições de cuidado ao longo da vida. A relevância do tema foi destacada também na imprensa: os resultados da pesquisa foram destaque em reportagem do jornal O Globo, publicada em 15 de maio, ampliando o debate sobre a solidão como uma das principais questões sociais do Brasil atual.

Confira a pesquisa completa aqui