Family Talks

Editorial: Não há exceção — as ‘bets’ são inimigas das famílias

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O Family Talks ingressou oficialmente no Brasil Contra as Bets, movimento suprapartidário fundado por parlamentares para banir a propaganda das apostas. Fazemo-lo com uma certeza que raras vezes nos é tão nítida: desde a legalização das casas de apostas online no país, não se soube de um único benefício gerado por elas à população e às famílias. Pelo contrário: trata-se de um mecanismo intrinsecamente vil de transferência de renda dos mais pobres para os mais abastados, e sua disponibilização no Brasil é lamentável.

Prometeram-nos arrecadação, modernidade e “diversão”: conto da carochinha desde o início. Nem o argumento de que a legalização secaria as fontes do crime organizado se sustenta: ele segue firme. Para as famílias, porém, as “bets” deixam apenas rastros de destruição. Multiplicam-se os relatos de pais, filhos e esposos que acumulam dívidas impagáveis, desenvolvem severos problemas de saúde mental e se afastam de suas obrigações e do convívio familiar, consumidos pelo vício, pela culpa e pela vergonha. Crescem os casos de pessoas que tiram a própria vida. E, sem contrapeso, influenciadores e celebridades, seduzidos pelo discurso fácil, ajudam a divulgar esse câncer social como entretenimento inofensivo.

É especialmente lamentável, porém, que as “bets” tenham sequestrado o futebol. Essas empresas compraram a consciência do brasileiro ao subjugar sua paixão nacional, diante de gestores incapazes de protegê-la frente aos incentivos financeiros. Um rito de afeto capaz de unir gerações virou vitrine para o jogo. Ligamos a TV para assistir aos jogos da Copa do Mundo ao lado de nossos filhos, e lá estão elas: explícitas, em destaque, ocupando camisas, placas e intervalos.

Por muito menos, este país já foi firme contra o cigarro. Soubemos restringir sua propaganda, alertar sobre seus danos e proteger as novas gerações — e ninguém hoje lamenta tê-lo feito. Lembremos, ainda, o recente caso dos sites de conteúdo adulto que patrocinavam clubes: sua presença foi contestada e barrada pela Justiça. Está mais do que na hora de dirigir a mesma firmeza contra as apostas, com a mesma ferocidade com que ansiamos pelo hexa. Não há exceção que justifique o contrário.

E lembre-se: se você ou alguém próximo enfrenta o vício em apostas, procure ajuda médica. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188 e pelo site cvv.org.br.

Por Rodolfo Canônico

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