Editorial: Nossa opinião sobre os "cursos de masculinidade"

Que uma das marcas da era digital seja a proliferação de cursos online para todos os gostos e necessidades, ninguém duvida. Já há alguns anos, porém, pipocam pela internet manuais que causariam grande estranheza aos nossos antepassados analógicos, como é o caso dos “cursos de masculinidade”.
A respeito dos conteúdos voltados para meninos que se popularizam na internet, há que se dizer que a cultura redpill — com seus discursos abertamente violentos e misóginos — é objetivamente ruim e precisa ser freada.
Há, porém, uma ampla variedade cartilhas legítimas disponíveis: desde as que se propõem a questionar estereótipos da masculinidade às mais tradicionais. Na última semana, por exemplo, veículos brasileiros repercutiram o anúncio feito pelo ator Juliano Cazarré de um evento voltado só para homens, prometendo-lhes ensinar valores esquecidos.
Como de praxe, a publicação foi repercutida nos ditames da polarização. Não nos cabe analisar a iniciativa de Cazarré nem qualquer outra em particular. Também não é nossa intenção diminuir a busca pelo aprimoramento pessoal em meio à infinidade de conhecimento disponível na internet.
Mas não podemos deixar de enxergar na mera existência de cursos sobre “como se tornar um homem”, “como amadurecer”, “como cuidar da casa” (não nos esqueçamos de que o universo feminino também tem suas versões…) etc. um sintoma da ausência das relações reais que deveriam nos prover, mais do que manuais e guias, uma autêntica sabedoria de vida.
Bons meninos e boas meninas deveriam formar-se, antes de tudo, observando o exemplo de seus pais, avós, tios, vizinhos, professores… Enfim, pessoas reais que lhes fornecessem modelos realistas e efetivamente diversos do que é ser íntegro, diligente, humilde e solidário.
Por isso, além de iniciativas que fomentem a presença dos pais na vida dos filhos (como a licença-paternidade), Family Talks defende o fortalecimento de vínculos familiares como pauta urgente de políticas públicas. Onde faltam famílias fortes, sobram cursos e manuais que jamais formarão um caráter.
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